"Entendo vc perfeitamente, viu...
Suspeito que os homens é que são de Vênus, levando as mulheres a Marte (guerra)..."
Salve, Jorge!
Obrigada pela sabedoria do comentário na postagem "Que dodói, que nada".
segunda-feira, 24 de setembro de 2007
domingo, 23 de setembro de 2007
quinta-feira, 13 de setembro de 2007
É COISA NOSSA (1925 -2007)
Historinha enviada:"Colega de trabalho de Pedro de Lara, Elke Maravilha define o humorista como "um sábio". "Lembro que estava triste após levar uma bronca do Silvio Santos, e o Pedro me disse: "Ah, Elke, tem gente que é tão pobre, mas tão pobre, que só tem dinheiro"."
“Na vida tem que ter estilo. Quem não tem não é isso nem aquilo”.
quinta-feira, 6 de setembro de 2007
O homem dodói (Joaquim Ferreira)
Ao homem dodói não dói o pâncreas nem qualquer osso do ilíaco. Não pergunte o mal que lhe aflige pois ele sequer sabe, não acreditaria, tão saudável, que acabou de ser catalogado entre os representantes desta nova espécie amorosa pela última namorada que não agüentou. Ela bateu a porta, jogou fora a chave e veio me relatar que havia mais um dodói solto machucando o coração das incautas. O dodói é o vilão passivo. Não bate na cara, não seqüela a pobre coitada, não maldiz aos palavrões o momento desgraçado em que tomou uma a mais, lixou-se para os cacófatos e carregou a vagabunda para a cama. É um sujeito bonzinho até, mas por omisso, eterna adolescência no jeito de tratar com as questões do amor, ele machuca mais que um kadu desses que andam espancando suas apaixonadas nos consultórios sentimentais dos jornais. O homem dodói, se você urge que a ficha caia rápido, é um deprimido que não sabe se quer, está em dúvida se cai dentro matando a pau, se joga tudo para o ar e muda a vida d e prumo para encarar, vento batendo de frente, uma nova relação. Foge da raia, mas não necessariamente diz. Não necessariamente trai, não necessariamente quer ir embora, não necessariamente faz questão de se fazer necessário. Se ele fosse um sinal gráfico de pontuação, seria uma linha com pontinhos de reticências. A doença, o tal dodói, lhe encaixa mais chocante porque pode ser até um sujeito bem resolvido profissionalmente. Tem o nome nos muros da cidade, na lista dos mais vendidos, uma postura agressiva no mercado de ações frias em que opera. Um sucesso no público, um fracasso no apartamento. Não cresceu. Como não dá qualquer sinal de que crescerá, tenha cuidado ao escrever sobre a figura. Homem dodói, com agá maiúsculo, mesmo no início da frase, não existe. Ele é minúsculo. Mixuruca. Antônio Maria, o mais eloqüente dos cantores das nossas desconexões amorosas, tinha uma cardiopatia conhecida como coração inchado. Morreu disso, graças a Deus viveu disso também e deixou textos magní ficos sobre os que decidem ir com tudo no cassino afetivo. “Quem seria capaz de abrir o peito e mostrar a ferida?”, escreveu certa vez no jornal, ele mesmo destroçado pela exibição da dor que lhe corroia a alma. O dodói está fora de uma cena dessas. Não rasga o peito, não põe fogo às vestes nem rola seu despudor franco pela ribanceira. Tem medo, entre outros, de morrer enfartado, abandonado por alguma mulher, três e quinze, na madrugada de uma calçada de Copacabana. Não é o homem acabado pela dor filha-da-mãe da angústia profunda de uma saudade. Não arrasta qualquer melancolia que o faça arrancar com cera quente os pêlos grudados nas bordas do coração. Nada disso. Ele é dodói apenas. O eterno garoto que esfrega mertiolate nas perebas de sua incapacidade de se relacionar, que joga pó de sulfa no furúnculo de sua falta de vontade em finalmente crescer e dizer estou dentro, vamos nessa. Juntos. O dodói trata com mercurocromo a depressão. Acha que basta. Depois assopra e se diz, baixinho , “passou, passou”. Contra os males da covardia, balas de permanganato. Já tem mais de 30 anos, barba na cara, grana no bolso. Ao contrário dos adolescentes acima dos 25 que não desgrudam da casa dos pais, o dodói saiu de casa mas não deixa que saia dele a casinha-lego onde trancou os sentimentos. Pode até escrever profissionalmente para jornais e publicidade, mas não consegue redigir uma linha da carta de compromissos que o consolidará namorado, marido, amante, ou o mais que seja de aposta na vida dela. Aplica todos os verbos no tempo do talvez, na conjugação do quem sabe. Por mais carioca que esteja, não teme a bala perdida, nem ser atropelado por uma bicicleta na calçada. O dodói escorregadio foge é do pé na bunda, esse aprendizado fundamental na vida de qualquer macho, o momento decisivo em que os homens se separam dos meninos — ou não. Ele não sacode, não sai de cima, não tem ciúme, não tem vontade de jogar um copo de cerveja quente na cara da traíra fria, não disputa o amor imp ossível, não sente falta de ar na presença de ninguém, e se você pergunta por uma decisão, ele responde que, bem, desculpa, está confuso. O dodói pede desculpas à mulher o tempo todo. Não foi por mal, não foi por bem, e jura que a quer feliz, só não pode, desculpa, ajudar. É o homem estragado pela insustentável leveza de ser dos romances modernos. Dodói não lê Tolstói, por profundo demais. Só quer das rimas as que não estejam em “El dia que me quieras”. Nada de versos sobre paixões arrebatadas em que o amor viril de um homem por uma mulher possa soar como aventura e trazer conseqüências fora de controle. Quer distância das cicatrizes, das navalhadas, das cartas anônimas, das loucas passionais, do telefone tocando mudo na madrugada, do coração aos pulos, do formicida com guaraná ou de qualquer um desses boleros fora do hype da voga cool Os riscos do amor estão por fora da nova ordem mundial — e o dodói pede desculpas por ser tão frágil. Promete deixar a sua vítima em paz, mas de vez em quando aparece e ronda a infeliz. Por nada. Só quer ver como anda o dodói que provoca na alma alheia.
terça-feira, 4 de setembro de 2007
segunda-feira, 3 de setembro de 2007
sábado, 1 de setembro de 2007
Um brinde às cariocas em SP
E minha homenagem a Guta, a primeira à direita, pelas palavras carinhosas (todas nós reinamos no coração daqueles moços da ECO, mas Guta foi uma das grandes musas) em seu blog migrantedigital.blogspot.comInternautas, para se atualizarem, passeiem por lá.
quinta-feira, 30 de agosto de 2007
Os silêncios da fala (pelo meu aniversário)
São tantos
os silêncios da fala
De sede
De saliva
De suor
Silêncios de silex
no corpo do silêncio
Silêncios de vento
de mar
e de torpor
De amor
Depois, há as jarras
com rosas de silêncio
Os gemidos
nas camas
As ancas
O sabor
O silêncio que posto
em cima do silêncio
usurpa do silêncio o seu magro labor.
(Maria Teresa Horta)
segunda-feira, 27 de agosto de 2007
Do Grande e do Pequeno Amor
«O meu amor por ti, às vezes, não é mais do que uma ruína, uma ruína onde estremeço de frio. Mas prefiro estremecer por causa de ti do que procurar outra paisagem.»
«Andas a dormir com alguém?»
«Já não, encontro-te sempre, até nos corpos das outras me farto de ti, o meu amor por ti é tão banal e absoluto que está em todos os corpos, entendes?»
«Perfeitamente. Como é que vamos resolver isto?»
«Porque é que temos de resolver isto? Talvez este amor, esta coisa nossa, seja uma guerra como essas que tu estudas, infinitas, com o sangue e a paz entremeados. E páginas em branco.»
«Somos os dois muito maus na questão das páginas em branco. Se reparares bem é isso.»
«Talvez eu não goste de reparar bem. Acho até que é por isso que preciso de ti; para me irritar contigo porque reparas sempre em tudo o que me escapa.»
«Achas que ainda teremos medo de viver juntos daqui a vinte anos?»
«Não sei. Sei que nos arrependeremos se não tentarmos. Mas não consigo perder o medo.»
«Não tens de perder o medo. O medo faz parte do que somos os dois.»
«Nunca te esqueces de mim quando tens prazer com outras pessoas?»
«Não, e aí está uma coisa difícil de te perdoar.»
(Inês Pedrosa e Jorge Colombo)
«Andas a dormir com alguém?»
«Já não, encontro-te sempre, até nos corpos das outras me farto de ti, o meu amor por ti é tão banal e absoluto que está em todos os corpos, entendes?»
«Perfeitamente. Como é que vamos resolver isto?»
«Porque é que temos de resolver isto? Talvez este amor, esta coisa nossa, seja uma guerra como essas que tu estudas, infinitas, com o sangue e a paz entremeados. E páginas em branco.»
«Somos os dois muito maus na questão das páginas em branco. Se reparares bem é isso.»
«Talvez eu não goste de reparar bem. Acho até que é por isso que preciso de ti; para me irritar contigo porque reparas sempre em tudo o que me escapa.»
«Achas que ainda teremos medo de viver juntos daqui a vinte anos?»
«Não sei. Sei que nos arrependeremos se não tentarmos. Mas não consigo perder o medo.»
«Não tens de perder o medo. O medo faz parte do que somos os dois.»
«Nunca te esqueces de mim quando tens prazer com outras pessoas?»
«Não, e aí está uma coisa difícil de te perdoar.»
(Inês Pedrosa e Jorge Colombo)
O não-amor
Às vezes me pego cheia de pudores para escrever coisas sobre sentimentos, apesar de este blogue ter começado como o diário das 1.200 horas para me curar de um pancadão na cabeça, no tronco e nos membros. A maioria desse tempo foi parar no rascunho, porque ninguém merece chororô alheio, mas ainda há muitos minutos espalhados por aqui de tristeza e emoção. E nessas coisas de ter vergonha de escrever, mas não ter de falar, surgiu a expressão "não-amor" na conversa em um skype capenga. O não-amor é o amor micareta, fora de época, dos senões, dos desencontros. Um ama e o outro, também. Só que não da mesma forma. Um ama para namorar e o outro, para admirar. Um ama já, o outro tem que descasar. Um quer ir para o motel, o outro prefere passar o tempo em conversas e gargalhadas amigas. Um adora viajar e o outro só pode ficar.
O não-amor não vira a página e o seguir adiante é sempre olhando para trás, com preocupação e raiva das não-realizações quando tudo poderia ser perfeito. Por isso, você purga suas lembranças dobradas, amareladas, guardadas dentro de caixas ilusórias de papelão ou de entrada de mensagens - elas ficarão lá para sempre porque não houve nem haverá motivos para eliminá-las. É quase o "amor contrariado" do García Márquez. Quase. Para ser, precisava provocar sobressaltos, e não tristeza e pena.
segunda-feira, 20 de agosto de 2007
sábado, 18 de agosto de 2007
Manu Chao é "Homens" e tudo de bom
(respeito com as mulheres é bom e nós gostamos)
http://br.youtube.com/watch?v=4ZREqrdhFwo&mode=related&search=
http://br.youtube.com/watch?v=4ZREqrdhFwo&mode=related&search=
quinta-feira, 16 de agosto de 2007
Ah, os poetas portugueses
Os Silêncios
Não entendo os silêncios
que tu fazes
nem aquilo que espreitas
só comigo
Se escondes a imagem
e a palavra
e adivinhas aquilo
que não digo
Se te calas
eu oiço e eu invento
Se tu foges
eu sei não te persigo
Estendo-te as mãos
dou-te a minha alma
e continuo a querer
ficar contigo.
(Maria Teresa Horta)
Não entendo os silêncios
que tu fazes
nem aquilo que espreitas
só comigo
Se escondes a imagem
e a palavra
e adivinhas aquilo
que não digo
Se te calas
eu oiço e eu invento
Se tu foges
eu sei não te persigo
Estendo-te as mãos
dou-te a minha alma
e continuo a querer
ficar contigo.
(Maria Teresa Horta)
segunda-feira, 13 de agosto de 2007
Espera (Eugénio de Andrade)
Horas, horas sem fim,
pesadas, fundas,
esperarei por ti
até que todas as coisas sejam mudas.
Até que uma pedra irrompa
e floresça.
Até que um pássaro me saia da garganta
e no silêncio desapareça.
pesadas, fundas,
esperarei por ti
até que todas as coisas sejam mudas.
Até que uma pedra irrompa
e floresça.
Até que um pássaro me saia da garganta
e no silêncio desapareça.
domingo, 12 de agosto de 2007
Maneiras (Zeca Pagodinho)

Se eu quiser fumar eu fumo,
Se eu quiser beber eu bebo
Pago tudo que consumo com o suor do meu emprego
Confusão eu não arrumo, mas também não peço arrego
Eu um dia me aprumo, pois tenho fé no meu apego
Eu só posso ter chamego, com quem me faz cafuné
Como o vampiro e o morcego é o homem e a mulher
O meu linguajar é nato, eu não estou falando grego
Eu tenho amores e amigos
De fato tá tudo errado nos lugares onde eu chego
Eu estou descontraído, não que eu tivesse bebido
Nem que eu tivesse fumado pra falar de vida alheia
Mas digo sinceramente, na vida, a coisa mais feia
É gente que vive chorando de barriga cheia
É gente que vive chorando de barriga cheia
Se eu quiser beber eu bebo
Pago tudo que consumo com o suor do meu emprego
Confusão eu não arrumo, mas também não peço arrego
Eu um dia me aprumo, pois tenho fé no meu apego
Eu só posso ter chamego, com quem me faz cafuné
Como o vampiro e o morcego é o homem e a mulher
O meu linguajar é nato, eu não estou falando grego
Eu tenho amores e amigos
De fato tá tudo errado nos lugares onde eu chego
Eu estou descontraído, não que eu tivesse bebido
Nem que eu tivesse fumado pra falar de vida alheia
Mas digo sinceramente, na vida, a coisa mais feia
É gente que vive chorando de barriga cheia
É gente que vive chorando de barriga cheia
sábado, 11 de agosto de 2007
Maternidade da cadela do Zé José
Que cada um cumpra o seu dever
Não é um post sério, não. Na verdade está mais para aquele blog/comunidade Homem é Tudo Palhaço. Mas essa veio de querido, comprometido, é claro. A gente releva com ressalva.
Madrugada de bebedeira total hoje. Caí no sofá e semi-adormeci. Galera que foi comigo queria ir embora. Ele se aproximou. Uns apertos aqui, uma massagem ali, um selinho e a frase ao pé-da-orelha: vai não, fica aqui. Mesmo desmaiada veio a luz. So sorry, já vi esse filme. Fui. Tropeçando em ventos.
Madrugada de bebedeira total hoje. Caí no sofá e semi-adormeci. Galera que foi comigo queria ir embora. Ele se aproximou. Uns apertos aqui, uma massagem ali, um selinho e a frase ao pé-da-orelha: vai não, fica aqui. Mesmo desmaiada veio a luz. So sorry, já vi esse filme. Fui. Tropeçando em ventos.
sexta-feira, 10 de agosto de 2007
Você me lê?

Palavras minhas e de outros que me tocam são jogadas aqui. Quem as lê? Vejo comentários de amigos e de desconhecidos que entraram por acaso ou curiosidade. Gosto de todos. Queria ver essa gente, tocar, ouvir. Gosto das palavras. Sofro com as palavras. Vivo com as minhas palavras. Durmo com as palavras dos outros. Há palavras que se repetem: umas cansam, outras encantam. Existem ainda fervilhando em mim as que nunca mais li ou ouvi, aquelas que migraram do coração para a eternidade das nanocaixinhas onde guardamos os instantes. Mas as palavras são chapadas. Elas me divertem até o ponto em que eu tento pegá-las e não posso. Faço, então, um beiço infantil e fico sonhando com os cubos de madeira de A a Z.
E lá vem a Clarice. "O que te escrevo não tem começo: é uma continuação. Das palavras deste canto que é meu e teu, evola-se um halo que transcende as frases, você sente? Minha experiência vem de que eu já consegui pintar o halo das coisas. O halo é mais importante que as coisas e as palavras. O halo é vertiginoso. Finco a palavra no vazio descampado: é uma palavra como fino bloco monolítico que projeta sombra. E é trombeta que anuncia."
E lá vem a Clarice. "O que te escrevo não tem começo: é uma continuação. Das palavras deste canto que é meu e teu, evola-se um halo que transcende as frases, você sente? Minha experiência vem de que eu já consegui pintar o halo das coisas. O halo é mais importante que as coisas e as palavras. O halo é vertiginoso. Finco a palavra no vazio descampado: é uma palavra como fino bloco monolítico que projeta sombra. E é trombeta que anuncia."
terça-feira, 7 de agosto de 2007
E se fosse a sua filha?
Dia desses, uma amiga me ligou enfurecida, reclamando que estava sendo tratada como "comidinha" do moço lá com quem sai. A história deles havia começado num bar. Ele olhou pra ela, foi atrás, pediu o telefone. Ela até pensou em dar o número errado, mas foi só um pensamento, quem sabe intuição. Ele ligou, passaram a sair. Da apatia inicial, minha amiga entrou em um estado de enternecimento, encantamento, quase paixão. O moço é bom no que faz.
Não precisou muito para ela reparar que ele não a levava para sair com os amigos dele (olha que ela é bonitona). Começou a furar programinhas básicos, tipo cinema, passeio, e não queria muito contato com a família dela. Só não furava os dias de lesco.
Um amigo dela disse que o moço voluptuoso nunca havia prometido nada, muito pelo contrário, tinha sido claro ao escrever em e-mail sobre uma história de "meu mundo, seu mundo", "gosto de parte sua, mas outra ainda não consigo digerir", coisas assim. Isso quando tentava ser racional. Na paixão, mandava fotinhas, torpedos amorosos, seduzia o tempo todo - apesar da "outra parte" dela, da qual não queria nem chegar perto, como se ela pudesse arrancar pedaços invisíveis de si, libras das suas vivências, sem deixar de ser quem é.
Minha pergunta para homens assim é: e se fosse com sua filha, sua mãe, sua irmã?
Como será que esses tipos iriam se referir a um sujeito que ignora a sutileza dos sonhos dos outros? O mundo é só dividido entre os espertos e os manés? A mulher - ou o homem - que se envolve com indicações de romantismo é apenas otária(o)? O sonhador é um idiota?
Ando meio cansada desse egoísmo emocional.
Não precisou muito para ela reparar que ele não a levava para sair com os amigos dele (olha que ela é bonitona). Começou a furar programinhas básicos, tipo cinema, passeio, e não queria muito contato com a família dela. Só não furava os dias de lesco.
Um amigo dela disse que o moço voluptuoso nunca havia prometido nada, muito pelo contrário, tinha sido claro ao escrever em e-mail sobre uma história de "meu mundo, seu mundo", "gosto de parte sua, mas outra ainda não consigo digerir", coisas assim. Isso quando tentava ser racional. Na paixão, mandava fotinhas, torpedos amorosos, seduzia o tempo todo - apesar da "outra parte" dela, da qual não queria nem chegar perto, como se ela pudesse arrancar pedaços invisíveis de si, libras das suas vivências, sem deixar de ser quem é.
Minha pergunta para homens assim é: e se fosse com sua filha, sua mãe, sua irmã?
Como será que esses tipos iriam se referir a um sujeito que ignora a sutileza dos sonhos dos outros? O mundo é só dividido entre os espertos e os manés? A mulher - ou o homem - que se envolve com indicações de romantismo é apenas otária(o)? O sonhador é um idiota?
Ando meio cansada desse egoísmo emocional.
segunda-feira, 6 de agosto de 2007
Sophia de Mello Breyner Andresen
A paz sem vencedor e sem vencidos

Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos
A paz sem vencedor e sem vencidos
Que o tempo que nos deste seja um novo
Recomeço de esperança e de justiça.
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos
A paz sem vencedor e sem vencidos
Erguei o nosso ser à transparência
Para podermos ler melhor a vida
Para entendermos vosso mandamento
Para que venha a nós o vosso reino
Dai-nos
A paz sem vencedor e sem vencidos
Fazei Senhor que a paz seja de todos
Dai-nos a paz que nasce da verdade
Dai-nos a paz que nasce da justiça
Dai-nos a paz chamada liberdade
Dai-nos Senhor paz que vos pedimos
A paz sem vencedor e sem vencidos

Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos
A paz sem vencedor e sem vencidos
Que o tempo que nos deste seja um novo
Recomeço de esperança e de justiça.
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos
A paz sem vencedor e sem vencidos
Erguei o nosso ser à transparência
Para podermos ler melhor a vida
Para entendermos vosso mandamento
Para que venha a nós o vosso reino
Dai-nos
A paz sem vencedor e sem vencidos
Fazei Senhor que a paz seja de todos
Dai-nos a paz que nasce da verdade
Dai-nos a paz que nasce da justiça
Dai-nos a paz chamada liberdade
Dai-nos Senhor paz que vos pedimos
A paz sem vencedor e sem vencidos
domingo, 5 de agosto de 2007
Por que Cris
Cris, do BlogTalk e responsável pela minha entrada no universo blogueiro ("escreve para aliviar, mulha", incentivou ela em um dia de desespero), é essa bonitona que autografa seu primeiro livro "Por que Heloísa?", infantil, em São Paulo. Mãe de uma menina com paralisia cerebral que é sua cara, Cris se baseou no dia-a-dia de luta contra um mundo, um país, uma cidade, uma rua, um transporte que jogam totalmente contra os deficientes. Isso sem falar dos preconceitos, mas não enveredo por aí.
Sua história é de amor e força (haja força física!). E vitória. Não dá para competir com ela nem nas coisas legais nem nas horríveis. Cris é tudo. Nós nos conhecemos há 25 anos e aprendi muito sobre diferenças e particularidades com ela. Vivemos há tempos em cidades diferentes e sabemos que isso não altera a amizade. Amigos abrem sua casa, seu tempo, suas verdades para os amigos. Amigos chamam à realidade, bronqueiam, não deixam a dor apagar a lucidez. Chamam de esquizofrênicos e de queridos. Nem sempre damos ouvidos a eles, mas também não temos como culpá-los. E amigo que é amigo não diz: "Eu avisei". Eles sabem que a gente sabe que eles sempre avisam.
P.S.: Cris, acho que meu link não deu certo. Ou você é péssima professora ou eu sou uma anta.
P.S2.: A foto aí é do nosso querido Suely, nascido Carlos Vieira.
quinta-feira, 26 de julho de 2007
O gato de Cheshire

- Poderias dizer-me, por favor, que caminho hei de tomar para sair daqui?
- Isso depende de onde queres chegar! - respondeu o gato.
- Não interessa muito para onde vou... - retorquiu Alice.
- Nesse caso, pouco importa o caminho que tomes - interpôs o gato.
- Desde que chegue a algum lado! - acrescentou Alice.
ORACIÓN DEL PEREGRINO
Paz del alma dolorida, Cristo de El Pardo yacente, déjame posar la frente de tu Costado en la herida. De la cuesta de la vida vengo cansado, Señor, y abrumado del dolor de mis pasados errores. Dulce Amor de los amores, dame a gustar de tu amor.
Hoy llego a Ti, peregrino en busca de tu perdón. Con mi andariego bordón te hallé, al fin, en mi camino. Al volver tras mi destino, sólo te pido, Jesús, que, al irme yo con mi cruz, dejes contigo encerrado mi corazón perdonado, antes que expire la luz.
Hoy llego a Ti, peregrino en busca de tu perdón. Con mi andariego bordón te hallé, al fin, en mi camino. Al volver tras mi destino, sólo te pido, Jesús, que, al irme yo con mi cruz, dejes contigo encerrado mi corazón perdonado, antes que expire la luz.
terça-feira, 24 de julho de 2007
Os sub-30
Não sou pedófila. Já amei mais velhos, mais novos e da mesma idade. Mas tenho muitos motivos bons para concordar com Nelson Rodrigues: as mulheres têm que amar os bem mais novos por um tempo. Eles são audaciosos, não sabem o que é conseqüência. Sempre têm pressa para o amor e o desejo, assim como a fome, é enorme.
Trazem menos bagagem, um sorriso mais sincero, um cheiro mais forte, um beijo mais longo, uma pegada mais instintiva ou primitiva, vão mais fundo, famintos que sempre estão. E sorriem a cada milímetro de conquista e com a diversão que é fazer amor.
Consolam mais porque se desnorteiam com a dor, que ainda não entendem bem. Não se importam muito sobre o motivo do choro, só querem que passe logo. Conversam sobre árvores e aventuras. Lêem o mundo sem confusão; não filosofam, apenas descobrem.
Trazem menos bagagem, um sorriso mais sincero, um cheiro mais forte, um beijo mais longo, uma pegada mais instintiva ou primitiva, vão mais fundo, famintos que sempre estão. E sorriem a cada milímetro de conquista e com a diversão que é fazer amor.
Consolam mais porque se desnorteiam com a dor, que ainda não entendem bem. Não se importam muito sobre o motivo do choro, só querem que passe logo. Conversam sobre árvores e aventuras. Lêem o mundo sem confusão; não filosofam, apenas descobrem.
quarta-feira, 18 de julho de 2007
Mário de Sá-Carneiro
Quase
Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...
Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído
Num baixo mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho - ó dor! - quase vivido...
Quase o amor, quase o triunfo e a chama,
Quase o princípio e o fim - quase a expansão...
Mas na minh'alma tude se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!
De tudo houve um começo... e tudo errou...
- Ai a dor de ser-quase, dor sem fim... -
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se elançou mas não voou...
Momentos de alma que desbaratei...
Templos aonde nunca pus um altar...
Rios que perdi sem os levar ao mar...
Ânsias que foram mas que não fixei...
Se me vagueio, encontro só indícios...
Ogivas para o sol - vejo-as cerradas;
E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios...
Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
Um pouco mais de sol - e fora brasa,
Um pouco mais de azul - e fora além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa.
Se ao menos eu permanecesse aquém…
Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...
Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído
Num baixo mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho - ó dor! - quase vivido...
Quase o amor, quase o triunfo e a chama,
Quase o princípio e o fim - quase a expansão...
Mas na minh'alma tude se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!
De tudo houve um começo... e tudo errou...
- Ai a dor de ser-quase, dor sem fim... -
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se elançou mas não voou...
Momentos de alma que desbaratei...
Templos aonde nunca pus um altar...
Rios que perdi sem os levar ao mar...
Ânsias que foram mas que não fixei...
Se me vagueio, encontro só indícios...
Ogivas para o sol - vejo-as cerradas;
E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios...
Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...
... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...
Um pouco mais de sol - e fora brasa,
Um pouco mais de azul - e fora além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa.
Se ao menos eu permanecesse aquém…
terça-feira, 17 de julho de 2007
Triste

Novo acidente aéreo. Que coisa doida. Pensei em falta de sorte, pensei em irresponsabilidades, pensei em falta de estrutura, pensei em um monte de gente que poderia estar no vôo. Meu coração descompassou. Tristeza, raiva e impotência. Uma bola de fogo lá, e eu estou ardida aqui. Dois lexotans no mercado paralelo. Sempre há um mercado paralelo para o que quer que seja. O mercado paralelo já me deixou sem sangue. Cadê os responsáveis por essas dores todas?
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