Casamentos possíveis – Contardo Calligaris
Uma das boas razões para se casar é a seguinte: uma vez casados, podemos culpar o casal por boa parte de nossas covardias e impotências.
O marido, por exemplo, pode responsabilizar mulher, filhos e casamento por ele ter desistido de ser o aventureiro que ainda dorme, inquieto, em seu peito. A decepção consigo mesmo é menos amarga quando é transformada em acusação: “Você está me impedindo de alcançar o que eu não tenho a coragem de querer”. Essas recriminações, que disfarçam nossos fracassos, não são unicamente masculinas. Certo, os homens são quase sempre assombrados por impossíveis devaneios de grandeza – como se algum destino extraordinário e inalcançável já tivesse sido sonhado para eles (e foi mesmo, geralmente pelas suas mães). Diante de tamanha expectativa, é cômodo alegar que o casal foi o impedimento. As mulheres, inversamente, seriam mais pé-no-chão, capazes de achar graça nas serventias do cotidiano. Por isso mesmo, aliás, elas encarnariam facilmente, para os homens, os limites que a realidade impõe aos sonhos que eles não têm a ousadia de realizar. Agora, as mulheres também sonham. Há a dona de casa que acusa o marido, os filhos e o casamento por ela ter desistido de outra vida (eventualmente, profissional), que teria sido fonte de maiores alegrias. E há, sobre tudo, para muitas mulheres, um sonho romântico de amor avassalador e irresistível, do qual, justamente, elas desistem por causa de marido, filhos e casamento. Com isso, d. Quixote se queixa de que sua mulher esconde seus livros de cavalaria e o impede de sair à cata de moinhos de vento. E Madame Bovary se queixa de que seu marido esconde seus livros de amor e a impede de sair pelos bailes, à cata de paixões sublimes e elegantes.
Pena que raramente eles consigam ter os mesmos sonhos. Um problema é que os sonhos dos homens podem ser de conquista, mas dificilmente de amor, pois eles derivam diretamente das esperanças que as mães depositam em seus filhos, e, claro, uma mãe pode esperar que seu rebento varão seja um dom-juan, mas raramente esperará ser substituída por outra mulher no coração do filho. Não pense que esse fogo cruzado de acusações seja causa recorrente de divórcio. Ao contrário, ele faz a força do casamento, pois, atrás da acusação (”É por sua causa que deixei de realizar meus sonhos”), ouve-se: “Ainda bem que você está aqui, do meu lado, fornecendo-me assim uma desculpa -sem você, eu teria de encarar a verdade, e a verdade é que eu mesmo não paro de trair meus próprios sonhos”. Ou seja, em geral, a gente casa com a pessoa “certa”: a que podemos culpar por nossos fracassos. E essa, repito, não é uma razão para separar-se. Ao contrário, seria uma boa razão para ficar juntos.
Quando a coisa aperta, não é porque sonhos e devaneios teriam sido frustrados “por causa do outro”, mas pelas “cobranças”, que, elas sim, podem se revelar insuportáveis. Um exemplo masculino. Uma mulher me permite acreditar que é por causa dela que eu não consigo ser o que quero: graças a Deus, não posso mais tentar minha sorte no garimpo agora que tenho esposa, filhos e tal. Até aqui, tudo bem. Como compensação pelos sonhos dos quais eu desisti, passo as tardes de domingo afogando num sofá e soltando foguetes quando meu time marca um gol, mas eis que, no meio do jogo, minha mulher me pede para brincar com as crianças ou para ir até à padaria e comprar o necessário para o café – logo a mim, que deveria estar explorando as fontes do Nilo ou negociando a paz entre os senhores da guerra da Somália. Essa cobrança, aparentemente chata, poderia salvar-me da morosa constatação do fracasso de meus sonhos e das ninharias com as quais me consolo. Talvez, aliás, ela me ajudasse a encontrar prazer e satisfação na vida concreta, nos afetos cotidianos. Mas não é o que acontece: o que ouço é mais uma voz que confirma minha insuficiência. À cobrança dos sonhos dos quais desisti acrescenta-se a cobrança de quem foi (ou é) “causa” de minha desistência e razão de meu “sacrifício”: “Olhe só, mesmo assim, ela não está satisfeita comigo.” Em suma, não presto, nunca, para mulher alguma -nem para a mãe que queria que eu fosse herói nem para a esposa para quem renunciei a ser herói. E a corda arrebenta.
O ideal seria aceitar que nosso par nos acuse de seus fracassos e, além disso, não lhe pedir nada. Difícil.
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
domingo, 18 de outubro de 2009
Borges
AUSENCIA
Habré de levantar la vasta vida
que aún ahora es tu espejo:
cada mañana habré de reconstruirla.
Desde que te alejaste,
cuántos lugares se han tornado vanos
y sin sentido, iguales
a luces en el día.
Tardes que fueron nicho de tu imagen,
músicas en que siempre me aguardabas,
palabras de aquel tiempo,
yo tendré que quebrarlas con mis manos.
¿En qué hondonada esconderé mi alma
para que no vea tu ausencia
que como un sol terrible, sin ocaso,
brilla definitiva y despiadada?
Tu ausencia me rodea
como la cuerda a la garganta,
el mar al que se hunde.
Habré de levantar la vasta vida
que aún ahora es tu espejo:
cada mañana habré de reconstruirla.
Desde que te alejaste,
cuántos lugares se han tornado vanos
y sin sentido, iguales
a luces en el día.
Tardes que fueron nicho de tu imagen,
músicas en que siempre me aguardabas,
palabras de aquel tiempo,
yo tendré que quebrarlas con mis manos.
¿En qué hondonada esconderé mi alma
para que no vea tu ausencia
que como un sol terrible, sin ocaso,
brilla definitiva y despiadada?
Tu ausencia me rodea
como la cuerda a la garganta,
el mar al que se hunde.
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Lou Reed - Berlin
You're right and I'm wrong
oh babe, I'm gonna miss you now that you're gone
One sweet day
You're right, oh, and I'm wrong
you know I'm gonna miss you now that you're gone
One sweet day
One sweet day
oh babe, I'm gonna miss you now that you're gone
One sweet day
You're right, oh, and I'm wrong
you know I'm gonna miss you now that you're gone
One sweet day
One sweet day
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Confissão. Ou As tentações de Santo Antão
Não sei se alguém que lê este blog conhece os confessionários do Convento de Santo Antônio, no Rio, pelo menos nestes tempos de reforma. Em uma varandinha que dá para o pátio geralmente fechado à visitação dos fiéis estão duas mesinhas, parecendo de repartição pública, cada uma ocupada por um religioso, com uma cadeirinha ao lado para o "pecador" se sentar e preencher verbalmente uma anamnese de falhas espirituais e pouca fé. Escolhi a segunda mesinha, pela distância do salão onde estava sendo celebrada a missa do frei Floriano e também pelos bondosos olhos azuis do franciscano em seu tradicional hábito marrom. Dei bom-dia.
- ... - olhavam-me os olhos azuis.
O que eu deveria falar? O silêncio era constrangedor.
- Bom, não sei por onde começar. Na verdade, estou buscando paz para meu coração e o fim de pensamentos ruins - desabafei, emocionada, com os olhos cheios de lágrimas.
- Há quanto tempo a senhora não se confessa? - perguntou ele.
Tive medo de responder. Só me lembrava da confissão da Primeira Comunhão, quando balbuciei, roxa de vergonha, que brigava com meu irmão, discutia com meus pais e - pecado dos pecados - havia, digamos, tomado emprestado sem pedido nem prazo de devolução uma lindíssima capinha de chuva transparente da Susi de uma amiga.
- Acho que tinha 8 anos. Foi na Primeira Comunhão.
- E quantos anos a senhora tem agora?
- 45.
- E a senhora acha que é católica?
- Claro que sou católica.
- Mas a Igreja manda confessar uma vez por ano. Por que a senhora não fez isso? São 40 anos...
Comecei a me irritar. Ele estava deliberadamente aumentando minha idade.
- Menos de 40, por favor. Mas não acredito em confissão. Acredito em conversas com um Deus piedoso, e isso tenho sempre.
- Existem regras na igreja. A senhora não vai andar nua na rua porque acha isso certo.
Ai, meus sais...
- São coisas diferentes. A justiça dos homens às vezes absolve o que não é absolvido pela divina e vice-versa. Ou não? Acho que há entre os católicos várias correntes que afrouxam ou apertam mais as interpretações das leis de Deus e do Vaticano.
- Isso a senhora está falando sem nenhum embasamento.
Meus sentimentos agora passavam longe de qualquer temperança. Estava em vias de pegar pesado e mandar a tal da paz que fui buscar às favas. Rapidamente, pensei: deve ser uma provação de Deus, tal qual foi feito com Jó. Diminuí a carga com uma enorme expiração.
- Olha, não estou aqui para discutir religião com o senhor, vim em busca de ajuda espiritual.
- A senhora é casada?
Sinceramente, não entendi a razão da pergunta. Enfim...
- Não, separada.
- Casou-se na igreja?
(Cordeiro de Deus que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós. Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós. Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, dai-nos a paz - repetia como um mantra)
- Não casei na igreja, não.
- Faz muito tempo que se separou?
- Hã????
- Faz muito tempo que se separou?
- Uns sete anos.
- E o que fez de lá para cá?
Como assim, o que fez? Será que ele queria ouvir sobre minha vida sexual? Era isso? O frade estava me provocando. Ou não. Provação de Jó. A resposta veio ríspida.
- Trabalhei como uma mula e criei dois filhos pequenos. Mas se o senhor quer saber se tenho pecados, não sei. Todos os dias, quando rezo o Pai-Nosso, peço perdão pelas minhas ofensas. E, se eu me lembro, porque posso ter tido amnésias providenciais, não matei nem roubei. O resto dos mandamentos da lei de Deus acho que cumpri também - prolonguei-me, esquecendo com certeza aquele tal de não cobiçar... Vale para mulher e homem?
- A gente peca sempre.
- Muito por omissão. Acho que meus maiores pecados foram por omissão, sim - agilizei, sem omitir no tom das palavras que naquele momento a ira tomava conta do meu espírito antes quase santo.
- Vai à igreja?
- Não estou aqui?
- Mas tem que ir aos domingos.
Ah, não. O frade ia me levar à loucura. Provação de Jó, provação de Jó, provação de Jó.
- Tem diferença? Venho quase todas as terças aqui e em alguns domingos vou a outra igreja. Mas rezo sempre para um Deus que todos vocês, padres, dizem que é um Deus de perdão.
- A senhora então, reze sete Pais-Nossos e sete Aves-Marias hoje e amanhã. Eu a absolvo em nome do Pai, do Filho e do Espírito santo. Amém.
Respondi amém, enquanto pensava que a penitência fora até pequena para o tanto de pecado que ele imaginava que eu tinha em quase 40 anos sem confissão. Eu me dera bem no teste de Jó. Minha fé e meus princípios não haviam sido abalados. Mas, peraê, o que era aquele frade que passava rápido por mim, não o confessor, mas outro, também de hábito marrom, sandálias franciscanas e cabelos... pintados de acaju precisando de retocar a raiz????? Franciscanos não fazem votos de não vaidade? Nada de Livro de Jó. Eu passeava em uma uma tela de Hieronymus Bosch.
- ... - olhavam-me os olhos azuis.
O que eu deveria falar? O silêncio era constrangedor.
- Bom, não sei por onde começar. Na verdade, estou buscando paz para meu coração e o fim de pensamentos ruins - desabafei, emocionada, com os olhos cheios de lágrimas.
- Há quanto tempo a senhora não se confessa? - perguntou ele.
Tive medo de responder. Só me lembrava da confissão da Primeira Comunhão, quando balbuciei, roxa de vergonha, que brigava com meu irmão, discutia com meus pais e - pecado dos pecados - havia, digamos, tomado emprestado sem pedido nem prazo de devolução uma lindíssima capinha de chuva transparente da Susi de uma amiga.
- Acho que tinha 8 anos. Foi na Primeira Comunhão.
- E quantos anos a senhora tem agora?
- 45.
- E a senhora acha que é católica?
- Claro que sou católica.
- Mas a Igreja manda confessar uma vez por ano. Por que a senhora não fez isso? São 40 anos...
Comecei a me irritar. Ele estava deliberadamente aumentando minha idade.
- Menos de 40, por favor. Mas não acredito em confissão. Acredito em conversas com um Deus piedoso, e isso tenho sempre.
- Existem regras na igreja. A senhora não vai andar nua na rua porque acha isso certo.
Ai, meus sais...
- São coisas diferentes. A justiça dos homens às vezes absolve o que não é absolvido pela divina e vice-versa. Ou não? Acho que há entre os católicos várias correntes que afrouxam ou apertam mais as interpretações das leis de Deus e do Vaticano.
- Isso a senhora está falando sem nenhum embasamento.
Meus sentimentos agora passavam longe de qualquer temperança. Estava em vias de pegar pesado e mandar a tal da paz que fui buscar às favas. Rapidamente, pensei: deve ser uma provação de Deus, tal qual foi feito com Jó. Diminuí a carga com uma enorme expiração.
- Olha, não estou aqui para discutir religião com o senhor, vim em busca de ajuda espiritual.
- A senhora é casada?
Sinceramente, não entendi a razão da pergunta. Enfim...
- Não, separada.
- Casou-se na igreja?
(Cordeiro de Deus que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós. Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós. Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, dai-nos a paz - repetia como um mantra)
- Não casei na igreja, não.
- Faz muito tempo que se separou?
- Hã????
- Faz muito tempo que se separou?
- Uns sete anos.
- E o que fez de lá para cá?
Como assim, o que fez? Será que ele queria ouvir sobre minha vida sexual? Era isso? O frade estava me provocando. Ou não. Provação de Jó. A resposta veio ríspida.
- Trabalhei como uma mula e criei dois filhos pequenos. Mas se o senhor quer saber se tenho pecados, não sei. Todos os dias, quando rezo o Pai-Nosso, peço perdão pelas minhas ofensas. E, se eu me lembro, porque posso ter tido amnésias providenciais, não matei nem roubei. O resto dos mandamentos da lei de Deus acho que cumpri também - prolonguei-me, esquecendo com certeza aquele tal de não cobiçar... Vale para mulher e homem?
- A gente peca sempre.
- Muito por omissão. Acho que meus maiores pecados foram por omissão, sim - agilizei, sem omitir no tom das palavras que naquele momento a ira tomava conta do meu espírito antes quase santo.
- Vai à igreja?
- Não estou aqui?
- Mas tem que ir aos domingos.
Ah, não. O frade ia me levar à loucura. Provação de Jó, provação de Jó, provação de Jó.
- Tem diferença? Venho quase todas as terças aqui e em alguns domingos vou a outra igreja. Mas rezo sempre para um Deus que todos vocês, padres, dizem que é um Deus de perdão.
- A senhora então, reze sete Pais-Nossos e sete Aves-Marias hoje e amanhã. Eu a absolvo em nome do Pai, do Filho e do Espírito santo. Amém.
Respondi amém, enquanto pensava que a penitência fora até pequena para o tanto de pecado que ele imaginava que eu tinha em quase 40 anos sem confissão. Eu me dera bem no teste de Jó. Minha fé e meus princípios não haviam sido abalados. Mas, peraê, o que era aquele frade que passava rápido por mim, não o confessor, mas outro, também de hábito marrom, sandálias franciscanas e cabelos... pintados de acaju precisando de retocar a raiz????? Franciscanos não fazem votos de não vaidade? Nada de Livro de Jó. Eu passeava em uma uma tela de Hieronymus Bosch.
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
domingo, 4 de outubro de 2009
Adorei ser musa por um dia. Obrigada, Ximenes
De uma história de noite, como tantas outras, você fez um texto adorável.
"De agora em diante, toda a minha vivência da boemia carioca terá maria Júlia como referência de pedra fundamental e princípio ativo, um patamar de transcendência a ser almejado. Aqui representada com nome falso, é uma conhecida de muitos amigos em comum que viveu a mais deliciosa história de amor a chegar aos meus ouvidos."
"Sabiamente, não se despediu do homem dos seus sonhos, como é de bom tom nas grandes histórias de amor. A vida nos ensina que grandes paixões sobrevivem na lembrança, na eternidade do efêmero. Mas os contos de fada e os filmes nos afirmam que quando um casal é feito um pro outro, vai se reencontrar pelos desígnios do destino." Isso é poesia...
"Minha mais nova musa me fascina pela ausência de culpa, pelo senso de humor e pelo embasamento filosófico presentes no relato." Hahahahahaha
Ter senso de humor, rir das minhas tragédias, quando possível, é o que me faz encontrar a resposta para a pergunta que sempre me faço: viver para quê?
"De agora em diante, toda a minha vivência da boemia carioca terá maria Júlia como referência de pedra fundamental e princípio ativo, um patamar de transcendência a ser almejado. Aqui representada com nome falso, é uma conhecida de muitos amigos em comum que viveu a mais deliciosa história de amor a chegar aos meus ouvidos."
"Sabiamente, não se despediu do homem dos seus sonhos, como é de bom tom nas grandes histórias de amor. A vida nos ensina que grandes paixões sobrevivem na lembrança, na eternidade do efêmero. Mas os contos de fada e os filmes nos afirmam que quando um casal é feito um pro outro, vai se reencontrar pelos desígnios do destino." Isso é poesia...
"Minha mais nova musa me fascina pela ausência de culpa, pelo senso de humor e pelo embasamento filosófico presentes no relato." Hahahahahaha
Ter senso de humor, rir das minhas tragédias, quando possível, é o que me faz encontrar a resposta para a pergunta que sempre me faço: viver para quê?
Pequena história de um amor burro
Do blog Cristalk. (http://www.interney.net/blogs/cristalk/2009/10/01/pequena_historia_de_um_amor_burro/) Tão maravilhoso que pedi permissão para reproduzir.
“Só acredito que você me ama quando estou dentro de você”. E ela ficou pasma ao ouvir isso. Ela que achava que já tinha dado todas as demonstrações possíveis de amor. Verbalizado, inclusive, várias vezes. Mas ele não acreditava. Só quando estava dentro dela.
Eles tiveram filhos, que ela abraçou como causas nobres. Ele a criticava por ser uma mãe intensa. Por não ter mais só ele no mundo para amar. Ele começou a se tornar ferino, mas ela ainda o amava mesmo assim. Pelos momentos idílicos. E porque o amor não vai embora de um dia para o outro, mesmo quando a falta de respeito vem sem aviso, como susto que se prega.
Ele a traiu para chamar sua atenção. Ele negou socorro para provar que estava certo. Ele a despejou de casa para que ela se submetesse. E contra a sua vontade, enfim, ela optou por sair daquele filme, que nunca foi dela. Também para produzir uma história mais bonita para os filhos. Pela justiça mundial e porque sim. Porque ela era insubordinada.
Ele perambulou, bebeu, comeu muitas mulheres. Pediu para voltar. Foi insano em sequências. Acabou em direção oposta ao seu maior desejo.
Ela, livre, lutou sozinha pela sobrevivência. É difícil ser livre.
Ele continuou a odiá-la porque a amava.
Fim.
“Só acredito que você me ama quando estou dentro de você”. E ela ficou pasma ao ouvir isso. Ela que achava que já tinha dado todas as demonstrações possíveis de amor. Verbalizado, inclusive, várias vezes. Mas ele não acreditava. Só quando estava dentro dela.
Eles tiveram filhos, que ela abraçou como causas nobres. Ele a criticava por ser uma mãe intensa. Por não ter mais só ele no mundo para amar. Ele começou a se tornar ferino, mas ela ainda o amava mesmo assim. Pelos momentos idílicos. E porque o amor não vai embora de um dia para o outro, mesmo quando a falta de respeito vem sem aviso, como susto que se prega.
Ele a traiu para chamar sua atenção. Ele negou socorro para provar que estava certo. Ele a despejou de casa para que ela se submetesse. E contra a sua vontade, enfim, ela optou por sair daquele filme, que nunca foi dela. Também para produzir uma história mais bonita para os filhos. Pela justiça mundial e porque sim. Porque ela era insubordinada.
Ele perambulou, bebeu, comeu muitas mulheres. Pediu para voltar. Foi insano em sequências. Acabou em direção oposta ao seu maior desejo.
Ela, livre, lutou sozinha pela sobrevivência. É difícil ser livre.
Ele continuou a odiá-la porque a amava.
Fim.
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Olá, como vai? Eu vou indo e você, tudo bem?
- Tudo bom? E a família? Olha, não precisa me tratar com tanta cerimônia. Não somos estranhos, muito pelo contrário. Por favor... Tivemos discussões, arroubos, tristezas, mas faz parte de relações intensas, nem precisa de desculpas. Passou. Volta e meia me falam de você. O coração ainda dispara, mas é aquilo que já conversamos, tem que voar livre. Outro dia vi você na rua, bermuda quadriculada e a indefectível mochila à frente do corpo. Sorri e senti uma saudade de dizer: "E aí, rapá, tudo em riba?" E de dar um abraço e de rir com suas palavras estranhas. E tenho minhas histórias para contar também. Tenho certeza de que vai gargalhar. O Ximenes já me chama de "minha musa". Ai... Bom, tomara que esse gelo não demore muito a derreter. Somos pessoas de perdão e volta por cima.
- Oi. Não teria motivo de raiva, tristeza, nada, em relação a você para ter cerimônias. Você é das pessoas mais extraordinárias que conheci, gosto de sua família, aprendi sempre contigo, tudo. Nunca vou maldizer um milímetro pois seria leviano. Só falo bem com meus interlocutores quando o assunto é você. Não poderia ser de outra forma. Ocorre que tudo na vida tem um ciclo e esse ciclo tem seu tempo e esse tempo tem que ser respeitado. Não sou eu nem você que ditamos. É Deus, depende de nossas emoções, impulsos, o que sentimos. Esse ciclo acabou. Nos conhecíamos muito bem até onde nos relacionávamos. Hoje não nos relacionamos mais. Ponto final. Não sou seu amigo. Não há "liga", a não ser o que tínhamos - que era muito pessoal -, e já não temos mais. Toco a minha vida. Os processos levam tempo, e temos que seguir. Só isso. Mas não é desdém, raiva, desejo de algo ruim. Só não tenho que trocar, não é ainda hora pra mim. Espero que respeite isso. Tudo de bom...
- Claro que na vida há um ciclo e é claro que podemos mudar esse ciclo. E é claro que podemos criar ligas, novas ligas. E é criando ligas que um dia poderemos nos sorrir e dizer: como foi bom termos nos conhecido, pois Deus não nos fez encontrar nesta vida por acaso. Você segue sua vida, outras pessoas, outros interesses, não quero saber dela. Mas não posso deixar de insistir que há muito a trocar sempre. Com todos. Você realmente não é meu amigo. Ainda. Começamos uma relação de paixão e isso é difícil. E foi apaixonadamente que terminamos. Paixão tem um quê de patologia. Sofremos ambos. Mas poderemos ser amigos. O meu processo não é tão rápido, nem o seu, parece. Mas você não me abraçaria se um dia me encontrasse na rua? Você não me faria um cafuné se me visse chorando? Você acha que eu não te daria a mão se você precisasse? Que não choraria com suas mazelas? Isso acaba? Carinho acaba? Temos ou teremos amores novos, pois a vida continua. O que foi nosso sempre será. Você não é ponto final, mas reticências. Veja como terminou sua resposta anterior. Nada termina, mas muda. Esse ensinamento é seu e foi absorvido por mim. Agora, se prefere não falar, mudar de calçada quando me encontrar ou nunca mais me olhar nos olhos, tristemente tenho que aceitar. Eu, se o encontrasse agora, pularia no seu pescoço, daria um beijo na sua bochecha e diria: valeu a pena.
- Oi. Não teria motivo de raiva, tristeza, nada, em relação a você para ter cerimônias. Você é das pessoas mais extraordinárias que conheci, gosto de sua família, aprendi sempre contigo, tudo. Nunca vou maldizer um milímetro pois seria leviano. Só falo bem com meus interlocutores quando o assunto é você. Não poderia ser de outra forma. Ocorre que tudo na vida tem um ciclo e esse ciclo tem seu tempo e esse tempo tem que ser respeitado. Não sou eu nem você que ditamos. É Deus, depende de nossas emoções, impulsos, o que sentimos. Esse ciclo acabou. Nos conhecíamos muito bem até onde nos relacionávamos. Hoje não nos relacionamos mais. Ponto final. Não sou seu amigo. Não há "liga", a não ser o que tínhamos - que era muito pessoal -, e já não temos mais. Toco a minha vida. Os processos levam tempo, e temos que seguir. Só isso. Mas não é desdém, raiva, desejo de algo ruim. Só não tenho que trocar, não é ainda hora pra mim. Espero que respeite isso. Tudo de bom...
- Claro que na vida há um ciclo e é claro que podemos mudar esse ciclo. E é claro que podemos criar ligas, novas ligas. E é criando ligas que um dia poderemos nos sorrir e dizer: como foi bom termos nos conhecido, pois Deus não nos fez encontrar nesta vida por acaso. Você segue sua vida, outras pessoas, outros interesses, não quero saber dela. Mas não posso deixar de insistir que há muito a trocar sempre. Com todos. Você realmente não é meu amigo. Ainda. Começamos uma relação de paixão e isso é difícil. E foi apaixonadamente que terminamos. Paixão tem um quê de patologia. Sofremos ambos. Mas poderemos ser amigos. O meu processo não é tão rápido, nem o seu, parece. Mas você não me abraçaria se um dia me encontrasse na rua? Você não me faria um cafuné se me visse chorando? Você acha que eu não te daria a mão se você precisasse? Que não choraria com suas mazelas? Isso acaba? Carinho acaba? Temos ou teremos amores novos, pois a vida continua. O que foi nosso sempre será. Você não é ponto final, mas reticências. Veja como terminou sua resposta anterior. Nada termina, mas muda. Esse ensinamento é seu e foi absorvido por mim. Agora, se prefere não falar, mudar de calçada quando me encontrar ou nunca mais me olhar nos olhos, tristemente tenho que aceitar. Eu, se o encontrasse agora, pularia no seu pescoço, daria um beijo na sua bochecha e diria: valeu a pena.
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
domingo, 27 de setembro de 2009
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
O tesão, segundo Alexandre Borges
"A energia sexual, o tesão, é tudo consequência de um carinho, de um amor, de uma cumplicidade e de uma vontade de querer estar sempre junto. Acho que tem a coisa do cheiro, da pele, da forma como um casal se beija, se pega, como seduz, como leva para o quarto, como deita da cama... O sexo é um complemento, uma ação que traduz todo amor que você sente pela pessoa. O fato de o sexo ser bom é um ótimo termômetro de que a relação vai bem, assim como o quanto você se sente seduzido pela pessoa."
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Sob os olhos de Darcy Ribeiro
A leitura da coluna do Zuenir Ventura hoje no Globo me trouxe lembranças engraçadas. Poderia até dizer lisonjeiras. Tinha 16, 17 anos, cursava o terceiro ano do antigo científico, quando fui convidado por um amigo de faculdade do meu irmão para encontro em apartamento na Avenida Atlântica com Leonel Brizola, que preparava sua candidatura para concorrer ao governo do estado, em 1982. Até que eu era uma morena inteligente e interessante, e tornei-me de imediato alvo da cobiça desse amigo do meu irmão, que anos depois se elegeu vereador. Bom, voltando ao encontro, cheguei lá e fui apresentada ao Darcy Ribeiro. Ao me ver, ele partiu para cima. Rodeou, questionou, sentou ao meu lado. O assédio ficou tão evidente, que incomou o Brizola. "Ô Darcy, deixa a menina, deixa. Não vê quue ela ainda não foi desmamada", ralhou o caudilho. Consternado, Darcy afastou o corpo, mas os olhnhos astutos e sedutores não me desgrudaram a noite toda. Sei que ele não podia ver um rabo de saia, mas que até hoje isso me dá uma pontinha e orgulho, ah isso dá.
domingo, 20 de setembro de 2009
ONISCIÊNCIA
Começas a criar asas e me deixar. Deixo-te me deixar. Não me esforço mais para prender tuas palavras comigo. Sim, isso é amor. Deves voar. Talvez nem te lembres mais de mim, a não ser das palavras indignadas, quando deverias salvar-me, como tantas vezes corri para salvar-te. Não cobro, apenas idealizo. Como idealizei mãos nossas se entrelaçando. Não eram as minhas, mas outras tocando teu corpo. Soube. Sempre sei. Chorei. Não digo que passou, mas meus beijos já foram de outro sem culpa. Nem foi tão difícil assim como eu supunha, já que tu respiras em outro pescoço poemas enamorados de Drummond em um livreco chinfrim ao lado da cama.Desperdício. Ela não conhece Louise Bogan, certamente. Ela não falará a ti de fé, não terá atitudes de Maggie Estep. Mas tu terás a paz que querias, a ausência de questionamentos. Sinto-me feliz por ti, mas confesso que não te desejo feliz por ora. Não sou hipócrita. Talvez em outro dia. Em outro amanhã. Não guardes raiva. Somos humanos, pois não? Jesus maldisse os vendilhões, secou a figueira sem razão. Também eu tenho ira. Também tu falas o que não deves. Magoas como eu magoo. Mas temos a tendência de olharmos apenas para as nossas feridas.
Use tuas asas da meditação agora.
Distancia-te do mundo e de ti.
Sinta todas as tristezas enlouquecedoras.
E tenha piedade de todos nós.
Use tuas asas da meditação agora.
Distancia-te do mundo e de ti.
Sinta todas as tristezas enlouquecedoras.
E tenha piedade de todos nós.
"És agora apenas uma fotografia ao lado da minha insónia. Uma memória que me fala sobretudo, como todas as memórias, daquilo que nunca existiu. Nesta fotografia te esqueço. Meticulosamente, de cada vez que me esforço para reter-te e começo a inventar-te. Tudo em ti tem asas, agora - o teu riso, os teus passos. Até nas poucas frases que de ti recordo há um restolhar de penas. E deslizo para esta solidão demasiado humana de não poder voltar a ser sozinho, como era quando tu existias, nesta mesma cidade, e eu já nem sequer pensava em ti."
Fazes-Me Falta
Fazes-Me Falta
suspiros
Well I'll be damned
Here comes your ghost again
But that's not unusual
It's just that the moon is full
And you happened to call
And here I sit
Hand on the telephone
Hearing a voice I'd known
A couple of light years ago
Heading straight for a fall
As I remember your eyes
Were bluer than robin's eggs
My poetry was lousy you said
Where are you calling from?
A booth in the midwest
Ten years ago
I bought you some cufflinks
You brought me something
We both know what memories can bring
They bring diamonds and rust
Well you burst on the scene
Already a legend
The unwashed phenomenon
The original vagabond
You strayed into my arms
And there you stayed
Temporarily lost at sea
The Madonna was yours for free
Yes the girl on the half-shell
Would keep you unharmed
Now I see you standing
With brown leaves falling around
And snow in your hair
Now you're smiling out the window
Of that crummy hotel
Over Washington Square
Our breath comes out white clouds
Mingles and hangs in the air
Speaking strictly for me
We both could have died then and there
Now you're telling me
You're not nostalgic
Then give me another word for it
You who are so good with words
And at keeping things vague
Because I need some of that vagueness now
It's all come back too clearly
Yes I loved you dearly
And if you're offering me diamonds and rust
I've already paid
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
Pequeno alívio. Com moderação.
Hoje foi dia de pensar com carinho em você, não ontem, assim como não será amanhã. Guardei esta quinta-feira para a alegre saudade. Aquela dos presentes inusitados que só podiam sair da sua caraminholice, como uma bolsa cheia de lingeries estranhas que nunca mais usei. A da minha chegada ao Galeão com você à espera tendo nas mãos um papel com tremidas letras cor-de-rosa formando a palavra VACA. A de você fingindo ser minha filha em trocas de torpedos no hospital, onde ela, totalmente combalida, preferiu ficar dentro da emergência com você, enquanto eu aguardava os dois do lado de fora. A dos cem reais gastos em uma orgia de doces - gula que nos valeu pesos extras na consciência e no corpo. A das impressionantemente pacíficas noites no vale, você traduzindo e eu no meu quarto de vídeo - estarei lá sempre, dê uma olhada. A da foto no prato do Pão de Açúcar. A do motorista de táxi o confundindo com Wanderley Cardoso. A dos seus escritos encalacrados e divertidos no total sem-sentido deles - este é você! A das missas do frei Clemente às terças-feiras no convento de Santo Antônio, você enxugando minhas lágrimas emocionadas. A do café no Starbuck's. A da nossa compulsão de compras nos passeios em São Paulo. A das caminhadas com direito a muita cosquinha pelo Aterro... Pacotes de felicidades entremeados com... deixa pra lá, me esqueci.
Reservo este prazer só para hoje. E me alegro um pouco. Mais do que isso costuma fazer mal, adverte o Ministério da Saúde.
Reservo este prazer só para hoje. E me alegro um pouco. Mais do que isso costuma fazer mal, adverte o Ministério da Saúde.
sábado, 12 de setembro de 2009
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
De manha, à tarde e à noite, ardo
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
Retiros Espirituais - Gil
Nos meus retiros espirituais,descubro certas coisas tão normais
Como estar defronte de uma coisa e ficar
Horas a fio com ela, bárbara, bela, tela de TV
Você há de achar gozado Barbarela dita assim dessa maneira
Brincadeira sem nexo que gente maluca gosta de fazer
Eu diria mais tudo não passa dos espirituais sinais iniciais desta canção
Retirar tudo o que eu disse, reticenciar que eu juro
Censurar ninguém se atreve
É tão bom sonhar contigo, oh, luar tão cândido
Nos meus retiros espirituais descubro certas coisas anormais
Como alguns instantes vacilantes e só
Só com você e comigo, pouco faltando, devendo chegar
Um momento novo, vento devastando como um sonho
Sobre a destruição de tudo, que gente maluca gosta de sonhar
Eu diria sonhar com você jaz nos espirituais sinais iniciais desta canção
Retirar tudo o que eu disse, reticenciar que eu juro
Censurar ninguém se atreve
É tão bom sonhar contigo, oh, luar tão cândido
Nos meus retiros espirituais, descubro certas coisas tão banais
Como ter problemas, ser o mesmo que não
Resolver tê-los é ter, resolver ignorá-los é ter
Você há de achar gozado ter que resolver de ambos os lados
De minha equação, que gente maluca tem que resolver
Eu diria o problema se reduz aos espirituais sinais iniciais desta canção
Retirar tudo o que eu disse, reticenciar que eu juro
Censurar ninguém se atreve
É tão bom sonhar contigo, oh, luar tão cândido
Como estar defronte de uma coisa e ficar
Horas a fio com ela, bárbara, bela, tela de TV
Você há de achar gozado Barbarela dita assim dessa maneira
Brincadeira sem nexo que gente maluca gosta de fazer
Eu diria mais tudo não passa dos espirituais sinais iniciais desta canção
Retirar tudo o que eu disse, reticenciar que eu juro
Censurar ninguém se atreve
É tão bom sonhar contigo, oh, luar tão cândido
Nos meus retiros espirituais descubro certas coisas anormais
Como alguns instantes vacilantes e só
Só com você e comigo, pouco faltando, devendo chegar
Um momento novo, vento devastando como um sonho
Sobre a destruição de tudo, que gente maluca gosta de sonhar
Eu diria sonhar com você jaz nos espirituais sinais iniciais desta canção
Retirar tudo o que eu disse, reticenciar que eu juro
Censurar ninguém se atreve
É tão bom sonhar contigo, oh, luar tão cândido
Nos meus retiros espirituais, descubro certas coisas tão banais
Como ter problemas, ser o mesmo que não
Resolver tê-los é ter, resolver ignorá-los é ter
Você há de achar gozado ter que resolver de ambos os lados
De minha equação, que gente maluca tem que resolver
Eu diria o problema se reduz aos espirituais sinais iniciais desta canção
Retirar tudo o que eu disse, reticenciar que eu juro
Censurar ninguém se atreve
É tão bom sonhar contigo, oh, luar tão cândido
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
Música na cabeça
Lá lá lá lá lauê
Fala Martim Cererê
Lá lá lá lá lauê
Fala Martim Cererê
Vem cá Brasil
Deixa eu ler a sua mão menino
Que grande destino
Reservaram pra você
Fala Martim Cererê
Lá lá lá lá lauê
Fala Martim Cererê
Lá lá lá lá lauê
Fala Martim Cererê
Tudo era dia
O índio deu a terra grande
O negro trouxe a noite na cor
O branco a galhardia
E todos traziam amor
Tinham encontro marcado
Pra fazer uma nação
E o Brasil cresceu tanto
Que virou interjeição
Lá lá lá lá lauê
Fala Martim Cererê
Lá lá lá lá lauê
Fala Martim Cererê
Gigante pra frente a evoluir
Laiá laiá
Milhões de gigantes a construir
Laiá laiá laiá
Gigante pra frente e a evoluir
Laiá laiá
Milhões de gigantes a construir
Vem cá Brasil
Deixa eu ler a sua mão menino
Que grande destino
Reservaram pra você
Fala Martim Cererê
Lá lá lá lá lauê
Fala Martim Cererê
Lá lá lá lá lauê
Fala Martim Cererê
Tudo era dia
O índio deu a terra grande
O negro trouxe a noite na cor
O branco a galhardia
E todos traziam amor
Tinham encontro marcado
Pra fazer uma nação
E o Brasil cresceu tanto
Que virou interjeição
Lá lá lá lá lauê
Fala Martim Cererê
Lá lá lá lá lauê
Fala Martim Cererê
Gigante pra frente a evoluir
Laiá laiá
Milhões de gigantes a construir
Laiá laiá laiá
Gigante pra frente e a evoluir
Laiá laiá
Milhões de gigantes a construir
Laiá laiá laiá
Gigante pra frente e a evoluir
Laiá laiá
Milhões de gigantes a construir
Laiá laiá laiá
Gigante pra frente e a evoluir
Laiá laiá
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
MARCOS
| 1 | E Jesus entrou em Jerusalém, no templo, e, tendo visto tudo em redor, como fosse já tarde, saiu para Betânia com os doze. | |
| 12 | ¶ E, no dia seguinte, quando saíram de Betânia, teve fome. | |
| 13 | E, vendo de longe uma figueira que tinha folhas, foi ver se nela acharia alguma coisa; e, chegando a ela, não achou senão folhas, porque não era tempo de figos. | |
| 14 | E Jesus, falando, disse à figueira: Nunca mais coma alguém fruto de ti. E os seus discípulos ouviram isto. | |
| 15 | E vieram a Jerusalém; e Jesus, entrando no templo, começou a expulsar os que vendiam e compravam no templo; e derrubou as mesas dos cambiadores e as cadeiras dos que vendiam pombas. | |
| 16 | E não consentia que alguém levasse algum vaso pelo templo. | |
| 17 | E os ensinava, dizendo: Não está escrito: A minha casa será chamada, por todas as nações, casa de oração? Mas vós a tendes feito covil de ladrões. | |
| 18 | E os escribas e príncipes dos sacerdotes, tendo ouvido isto, buscavam ocasião para o matar; pois eles o temiam, porque toda a multidão estava admirada acerca da sua doutrina. | |
| 19 | E, sendo já tarde, saiu para fora da cidade. | |
| 20 | E eles, passando pela manhã, viram que a figueira se tinha secado desde as raízes. | |
| 21 | E Pedro, lembrando-se, disse-lhe: Mestre, eis que a figueira, que tu amaldiçoaste, se secou. | |
| 22 | E Jesus, respondendo, disse-lhes: Tende fé em Deus; | |
| 23 | Porque em verdade vos digo que qualquer que disser a este monte: Ergue-te e lança-te no mar, e não duvidar em seu coração, mas crer que se fará aquilo que diz, tudo o que disser lhe será feito. | |
| 24 | Por isso vos digo que todas as coisas que pedirdes, orando, crede receber, e tê-las-eis. | |
| 25 | E, quando estiverdes orando, perdoai, se tendes alguma coisa contra alguém, para que vosso Pai, que está nos céus, vos perdoe as vossas ofensas. | |
| 26 | Mas, se vós não perdoardes, também vosso Pai, que está nos céus, vos não perdoará as vossas ofensas. | |
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
O Escorpião e o Sapo
"Na margem de um rio estava, um dia, um sapo. Enquanto se preparava para cruzar as águas até a margem oposta, chegou um escorpião, que também queria atravessar para o outro lado. Mas escorpiões não nadam, então ele pediu ao sapo:
-Deixa-me subir subir nas tuas costas e transporta-me até a outra margem. És grande o suficiente e não te cansarás.
Mas o sapo, que bem conhecia o veneno do ferrão do escorpião, respondeu:
- Nas minhas costas? Estás louco! Tenho medo de teu veneno mortal!
E o escorpião:
- Estás equivocado em temer-me. Eu desejo atravessar o rio. É meu interesse que tu vivas.
Com tal raciocínio, o escorpião induziu o sapo a aceitar. Subiu, então, nas costas do sapo. O sapo entrou na água carregando o escorpião e começou a nadar, perfeitamente à vontade no seu meio natural. Assim que chegaram ao meio do rio, no ponto onde era mais forte a corrente e maior o esforço do sapo, eis que o escorpião levantou o rabo e enterrou o ferrão com toda força nas costas do sapo. Enquanto o veneno mortal se difundia em seu corpo, sentindo que a vida se esvaía, o sapo exclamou:
- Maldito desgraçado, que estás fazendo? Não vês que ambos morreremos: eu envenenado e tu afogado! Por que fizeste isso?
E o escorpião, já se afogando:
- Porque eu sou um escorpião e devo ferrar: esta é minha natureza.
E morreram.
-Deixa-me subir subir nas tuas costas e transporta-me até a outra margem. És grande o suficiente e não te cansarás.
Mas o sapo, que bem conhecia o veneno do ferrão do escorpião, respondeu:
- Nas minhas costas? Estás louco! Tenho medo de teu veneno mortal!
E o escorpião:
- Estás equivocado em temer-me. Eu desejo atravessar o rio. É meu interesse que tu vivas.
Com tal raciocínio, o escorpião induziu o sapo a aceitar. Subiu, então, nas costas do sapo. O sapo entrou na água carregando o escorpião e começou a nadar, perfeitamente à vontade no seu meio natural. Assim que chegaram ao meio do rio, no ponto onde era mais forte a corrente e maior o esforço do sapo, eis que o escorpião levantou o rabo e enterrou o ferrão com toda força nas costas do sapo. Enquanto o veneno mortal se difundia em seu corpo, sentindo que a vida se esvaía, o sapo exclamou:
- Maldito desgraçado, que estás fazendo? Não vês que ambos morreremos: eu envenenado e tu afogado! Por que fizeste isso?
E o escorpião, já se afogando:
- Porque eu sou um escorpião e devo ferrar: esta é minha natureza.
E morreram.
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Surfe no céu
Protegida da ventania que varre Botafogo nesta manhã quase especial, aprendo com os pássaros que driblam a devastadora força do ar. Um gavião seguia rápido em voo direto até pegar de jeito o vento na proa. Instintivo, parou de bater asas, pendeu para um lado e surfou no céu divinamente em sentido contrário ao que ia.
Se há problemas insolúveis, mais fortes do que podemos segurar, é para parar de se debater. Temos instinto também, sabemos exatamente a forma de chegar ao que queremos, quando avançar e quando recuar. Muitas vezes arriscamos, temos pressa, inovamos. É bom a adrenalina da tentativa de superação. Só não podemos maldizer se der errado.
Eu fico sempre com Paulo Mendes Campos: Se tiveres de ir a algum lugar, não te preocupe a vaidade fatigante de ser a primeira a chegar. Se chegares sempre aonde quiseres, ganhaste.
Se há problemas insolúveis, mais fortes do que podemos segurar, é para parar de se debater. Temos instinto também, sabemos exatamente a forma de chegar ao que queremos, quando avançar e quando recuar. Muitas vezes arriscamos, temos pressa, inovamos. É bom a adrenalina da tentativa de superação. Só não podemos maldizer se der errado.
Eu fico sempre com Paulo Mendes Campos: Se tiveres de ir a algum lugar, não te preocupe a vaidade fatigante de ser a primeira a chegar. Se chegares sempre aonde quiseres, ganhaste.
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
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